Sentada na cadeira, imóvel, suas pernas doíam, e o ''boa noite'' seco que saia de seus lábios inibia sua tristeza, que ela tentava aprisionar, contendo as lágrimas, mas deixando visivelmente os olhos lacrimejantes. Olhando-o, ela se sentia pior ainda, odiava ver o que não podia ter, bruscamente girou o corpo levando a cadeira de rodinhas para o lado contrário em que estava, a sua vista agora era o estacionamento da loja, os carros frios estacionados, os corpos vagos movendo-se de um lado a outro e as estrelas brilhando no céu devasso como se lhe dessem força. Logo, logo, ela se esquecia que tinha virado para evitar vê-lo e como instintivamente voltava a procurar o seu semblante apressado dentre os colegas de trabalho. Seus olhos se fixavam no rosto róseo e que parecia desmanchar-se em suor , mas que lhe atraiam de uma forma inexplicável , empática, quase que extra sensorial . Era tão ruim tê-lo ao lado e não poder ser mais do que dois corpos distantes, do que troca de palavras vagas. Era tão ruim conversar, fitar seus olhos mas não estar dentro deles...era tão ruim tê-lo ao lado e não ser a pessoa mais importante pra ele , mesmo quando, sem querer, ele tornara-se o centro das atenções dela. Era ruim, e ao mesmo tempo bom , pois se ela nunca tivesse o conhecido, nunca experimentaria aquela sensação, nunca saberia como era bom estar ao seu lado, e mesmo que amigavelmente, sorrir de volta. Dali , o frio penetrava o mais profundo do seu âmago, era como se a porta que selava as suas emoções tivesse sido esquecida aberta, e agora aquele frio penetrava e tornava tudo um inverno sem fim.
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